Poemas

Sonhos Lúcidos

passei a noite em amor eterno
aquecido pelos braços de uma bela
sob a fria noite de quente inverno
onde eu me perguntava: quem é ela?

que me fez esquecer, por um tempo, da vida
dona desses olhos fundos e negro
que me mostrou a dor da despedida
mas que agora em pensamento me alegro

me trouxe esse amor que foi de doce pecado
se transformando em despido sentimento
junto com seu corpo que por hora guardado

foi se encontrando ao meu em exímio talento
e como pecador eu agradecia por ter encontrado
esse amor forjado em um eterno momento

Primeiro Soneto

palavras que a caneta não escreve
versos que não são escritos, tampouco
dito em soneto pra quem não se deve…
por um coração calado; mas rouco

frases engolidas em nota triste
palavras que a boca não mais fala
ditas por tal boca que beijaste
boca que diz; mas que agora se cala

então o meu amor ainda que ame
a boca escarrada que amou um dia
não o deixo amar em ódio infame

posto que  do ódio uma vez nascia
o mesmo amor que agora vos declame
e nessa dor desprezo sua companhia

Rascunho

poesia é a arte de escrever
sobre coisas que ainda não sei
vidas que não acontecem
e conversas que não saem do papel

como um guerreiro, o escritor armado
com palavras na ponta da caneta
narra o tempo passando
cada gota de vida que vem
caindo numa imensidão de vida que foi

Parei

antes fumava sempre
vício teimoso
era toda hora uma pitada
a muié inté reclamava
que as noite eu largava ela
por uma maldita tragada
mas isso foi tempo atrás
agora se alguém me oferece
eu digo sem mais escarro:
ora me traga minha muié
que já não aguento mais
tragá esse cigarro

Rítmo

danço porque o tempo permite
pois a gravidade ainda tá a meu favor
e se é que Deus existe
danço mostrando meu temor

danço porque não me contento
pois minha felicidade ainda não é completa
e se até as folhas dançam ao vento
danço porque sou poeta

danço… por que não danças comigo?
pois dança é expressão de amar
e se até hoje vivo de amor antigo
danço porque não sei dançar

Tempo

Demorei horas para escrever um verso
E assim como essas palavras
sei que o tempo há de me consumir também.

Pensando assim, vou escrevendo as horas
Guardando o tempo num papel, de modo que
os versos consumam o tempo também.

No fundo

o mar de tão pequeno
cabe na janela do prédio
já a baleia de tão grande
custa ser menor qu’esse tédio

Do latim: amor

amar:
v.i. 
Estar apaixonado;

v.t. Ter amor, afeição, ternura, dedicação, devoção a; querer bem.

amar é uma sentença inacabada, um verdadeiro clichê que nunca sai de moda e, com certeza, a palavra mais usada por poetas de todas as escolas literárias. mesmo quem não gosta de falar sobre é obrigado a ceder aos encantos, ou ao menos entender que talvez isso, se não a base, seja o fundamento de muitas explicações e respostas.

os românticos adoram, os modernistas inovaram e brincaram com seu significado, o carpe diem abriu novos horizontes aos naturalistas e os realistas acharam a rima perfeita entre amor e dor. muitos vão falar bem e outras centenas irão cair em prantos em suas desilusões criticando o sentimento mais encantador, mas que ele não seja bom nem ruim por si só e sim que seja o que façamos dele.

em pouco tempo de vida aprende-se muita coisa sobre isso e escreve mais ainda, é um poço cheio de inspirações e que o final sempre será triste de alguma maneira. não importa o quão bom tenha sido nem o quão ruim tenha terminado, um dia você sorriu com ele, mas feliz ou triste será como faremos disso tudo depois.
transcrever em versos é como os poetas fazem é apenas mais um objeto de trabalho de cada escritor onde a criatividade depende do que eles sentem. é cruel, eu sei, temos que viver e vivemos quase tudo que dizemos nos sonetos, só não é mais cruel que não ter o que escrever.

que o amor não seja mais um ‘eu te amo’ e nem pedaços do capitalismo embutidos como presentes fúteis, que deixe de ser mais um gesto romântico no começo de namoro onde os interesses prevalecem acima de qualquer coisa, o amor não está em pessoas perfeitas que conquistam outras pessoas perfeitas.

não sei realmente o que é amor, mas sei muita coisa que ele não é.

Poema chatinho

sob sol andando
eu, todo branquinho
mas que martírio!
reclamando do calor
mas quantas roupas!
ainda passa protetor
como se precisasse
a água cada vez mais
salgada, e nem disfarça
que esse sou eu
caindo pra trás,
de novo
onda sagaz, façam parar
esses bichos estranhos
marisco e polvo, ó Deus
como odeio entrar no mar

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